05
maio
12

Experiência X Conhecimento científico

Infelizmente, há muitas pessoas que têm profunda resistência aos ensinamentos passados por grandes mestres do mundo dos negócios. Argumentam que, tais pessoas, por não serem empresários, não têm como conhecer, realmente, o mercado. Outros, mais resistentes, dizem que o que se aprende na faculdade, não se aplica a realidade.

Lamentavelmente, tal pensamento ocorre porque essas pessoas desconhecem as origens das teorias. Talvez pensem que a teoria de determinado autor surgiu simplesmente do fruto dos seus delírios. Entretanto, a teoria surge através da observação e experimentação. E, a grande maioria delas, foram observadas nas empresas que eram, relativamente, pequenas, e se tornaram gigantescas.

Mas, por que há a crença contrária a teoria? Uma das causas surge em decorrência de pessoas que concluem o curso, mas, não possuem o conhecimento necessário. Então, como conseguem se formar? Talvez porque, para os governantes, é muito vantajoso poder dizer que, no seu governo, a quantidade de pessoas com curso de nível superior aumentou enormemente. Dessa forma, como em qualquer outro curso, pouquíssimos alunos concluem com uma base mínima de conhecimento.

São raras as exceções, como nos cursos de engenharia, como a civil, por exemplo, em que, via de regra, o nível da avaliação dos estudantes é elevada, em decorrência do fato de que um erro de tal profissional pode custar a vida de inúmeras pessoas e, também, dos graduados em Direito, em que há a exigência da prova da OAB.

Mas, não há como se fazer uma lei, ou algo parecido, em que se obrigue a prática da administração, apenas, aos graduados que tenham bom aproveitamento numa prova do Conselho de Administração. Pelo fato de que, se houvesse tal obrigatoriedade, pessoas que não fossem graduadas não poderiam exercer a tarefa de administrar uma empresa. O que impediria milhares, senão milhões, de empresários de desenvolver seus trabalhos. Isso faria com que várias empresas viessem a fechar. Assim, a obrigatoriedade de aprovação é impraticável.

Além do que fora exposto até aqui, muitos empresários resistem ao que pregam as teorias pelo fato de que o que eles praticam, às vezes, não são como ensinado nas teorias. E argumentam que chegaram onde estão administrando do seu modo. Mas, se praticassem o que a teoria prega, provavelmente, estariam melhor.

Por outro lado, algumas pessoas, com nível superior de estudo, tentam aplicar a teoria, da mesma forma que ela é posta em prática, por exemplo, pelas empresas americanas. E, sem as devidas adequações, muitas vezes falham. Aumentando o preconceito contra a classe. E fazendo com que alguns empresários aleguem, sem refletir a respeito, que a teoria não pode ser aplicada. Com isso, o profissional de administração falha por julgar que a teoria se aplica, em sua totalidade, ao mercado em questão. Enquanto o empresário comete o equívoco de achar que não se aplica, de forma alguma.

No entanto, se o argumento de que o mercado local é totalmente diferente dos de outras regiões, ou países, fosse correto, um sanduíche da McDonalds jamais poderia ter o mesmo sabor em todos os países e agradar aos consumidores. O mesmo seria verdadeiro para um tênis da Nike, por exemplo.

A polêmica em torno de se defender que a experiência é a única forma de qualificar alguém para um cargo de administração me fez recordar de algo que aconteceu no ano de 2005, quando eu estava no quartel dos fuzileiros navais, no Rio de Janeiro. Um sargento falando que estava chateado devido ao ar de superioridade que um oficial teve em relação ao seu pai, que era sargento. Então, se as Forças Armadas, que são instituições altamente tradicionais, põem pessoas com pouca experiência, mas com conhecimento científico, para liderar pessoas com décadas a mais de experiência, deve ser porque o conhecimento científico que elas detém as capacitam para exercer tal função. Vale salientar que as decisões dos critérios para que se ocupem os cargos, nas Forças Armadas do Brasil, são tomadas pelos ocupantes dos mais altos cargos, munidas de muito conhecimento científico e décadas de experiência.

Assim, experiência e conhecimento científico (formal) não são, necessariamente, opostos. E, sim, duas formas diferentes para se conseguir qualificação para desempenhar determinadas funções. E que, juntas, podem fazer com que se consigam grandes resultados. Então, caso o indivíduo tenha apenas experiência ou conhecimento formal, é bastante oportuno que busque alguém que tenha o que ele não tem. Mas, infelizmente, geralmente, as pessoas buscam nas outras aquilo que elas já têm. Perdendo uma grande oportunidade de se desenvolver e atingir resultados melhores.


1 Response to “Experiência X Conhecimento científico”


  1. 1 Wanderley Fernandes
    maio 5, 2012 às 2:11 pm

    é isso mesmo colega,falta os que dizem ser empresarios…acreditarem nisso !!!


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